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Como a nova geração aprende

Que cada geração tem seu estilo, sua maneira de ser e de se relacionar entre si e com o mundo é fato. Também é fato que a maneira de aprender vai se modificando. O ser humano em seus primórdios de caçador-coletor aprendia de forma empírica, experimentando e vendo resultados, repetindo e vendo se os efeitos se repetiam, por tentativa e erro. Os erros muitas vezes eram fatais e os aprendizados em muitos casos também se esvaiam por serem extremamente individuais, difíceis de ser transmitidos.

Com o advento da agricultura e até a Revolução Industrial, o modelo de aprendizagem passou a ser vivencial, através dos aprendizes, que, com uma longa convivência ao lado de seus mestres, iam adquirindo as habilidades e os conhecimentos necessários até se tornarem eles mesmos novos mestres.

A Revolução Industrial trouxe às escolas uma padronização da educação/aprendizado. O professor, detentor do conhecimento, o transmitia a seus alunos em aulas expositivas. Nos temas mais científicos as experiências também eram bem-vindas, mas no período escolar sempre houve pouca brecha para a experimentação, o que em geral ocorria era a repetição pelos alunos de uma experiência já consagrada.

Os alunos hoje se incomodam com esse modelo, não têm mais a disciplina de ficar horas olhando com atenção alguém lhes falar sobre determinado assunto. Demonstram pouco ou nenhum interesse pelos temas que não apresentam relevância no seu cotidiano. Mas o que funciona, então, para essa nova turma?

Alguns fatores ficam claros neste movimento (e chamamos de movimento porque a mudança é constante):

APRENDIZADO COLABORATIVO

A maioria dos jovens conta com o Google e as redes sociais para acessar informações, compartilhar conhecimentos, ideias, discutir desafios, estudar em grupo, buscar opiniões e conselhos. Criar ambientes de aprendizagem que usem a tecnologia e a aprendizagem “informal” dentro do modelo de sala de aula ajuda a conectar os alunos entre si e a conectá-los com o conhecimento, alavancando as possibilidades de aprendizagem.

 

MICROLEARNING

A conectividade leva a múltiplas escolhas, que são feitas de maneira rápida e sem profunda análise e, principalmente, leva a uma falta de paciência para longos conteúdos. Isso não quer dizer que a partir de agora os conteúdos devem ser rasos e superficiais, mas sim que através de técnicas como o microlearning (que se utiliza principalmente de recursos de vídeo e animação), os conteúdos podem ser fraccionados em conceitos e são aprendidos então por partes, evitando o abandono.

 

GAMIFICAÇÃO

Muito se fala em gamificação de conteúdo. A ideia aqui é trazer uma linguagem que agrada e dá relevância aos jovens para o mundo do conhecimento. Por meio de jogos interativos com cenários e desafios que podem ser relacionados às situações do dia a dia, ou seja, que tragam significado, o aprendizado se torna leve e acontece quase que espontaneamente.

 

APLICATIVOS E OUTROS RECURSOS

O uso de aplicativos de testes, desafios e interação garante maior engajamento e facilidade de acesso. Hoje já temos diversos recursos disponíveis que ajudam desde a lembrar a data de provas a como estudar, que criam as trilhas de aprendizado necessárias de acordo com o perfil individual, facilitam a comunicação e o trabalho em grupo etc. Vale a pena conhecer e trazê-los para a sala de aula.

 

MENTORIA

Algo já comum no meio empresarial mas que ainda não encontrou aderência no meio educacional é a mentoria. Um mentor pelo qual temos respeito é alguém que pode nos orientar em um mundo onde é cada vez mais difícil manter o foco com tanta distração disponível.

Esse processo de mentoria envolve constante feedback, comunicação aberta, auxílio na capacidade de analisar a situação e promoção de novos desafios aos alunos.
Um olhar mais individualizado se faz necessário para o avanço mais sustentável do aprendizado de cada aluno, fortalecendo os talentos pessoais.

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