Educação maker: aprender com mão na massa é melhor

Uma nova forma de aprendizagem resgata o clima envolvente das feiras de ciências: trabalhos em grupo, valorização da criatividade, apresentação de ideias e, principalmente, obter o aprendizado a partir de experiências.

O Patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire, sempre defendeu a ideia de que os estudantes deveriam fazer seu próprio caminho na educação, tendo o professor como mediador do conhecimento. O Pedagogo e Filósofo afirmava que para o aluno se libertar dos padrões de ensino, alienantes e limitados, o aprendizado deveria ser construído a partir dos interesses individuais.

O movimento maker na educação veio para concretizar o sonho de Freire. Entenda por quê.

 

O que é o movimento maker na educação

Maker, em inglês, significa “fazer”. O movimento que acontece em escolas por todo o mundo propõe o modelo de educação “faça você mesmo”. Neste formato o processo de aprendizagem inicia com a necessidade de um conhecimento para solucionar um problema do seu dia a dia. A partir daí começa a pesquisa, experimentação e construção na busca de soluções criativas e inovadoras. Assim, os alunos se tornam protagonistas do seu aprendizado.

Com novas possibilidades as fronteiras se expandem.

“O mundo vira um laboratório. A experiência não é apenas uma hora por semana na aula de ciências” afirmou Paulo Blikstein, professor na universidade de Stanford, e diretor do FabLab Livre SP, durante o evento Transformar (2015).

O aprendizado, por meio de projetos e experiências, ultrapassa o sentido de sociedade da informação, evoluindo para o conceito de sociedade do conhecimento. Ou seja, a construção vai da prática para a teoria.

Quanto à eficácia da aprendizagem. Retemos:

O trabalho de construção do conhecimento é coletivo e colaborativo entre os alunos, os professores, os livros e a internet. Essa produção acontece em um laboratório personalizado, equipado com computadores, impressoras 3D, kit educacional eletrônico, robótica, motores, sensores, máquinas de corte, perfuração, solda, entre outros.

É possível começar o laboratório até mesmo com objetos simples e reciclados. Tudo depende das condições de cada instituição.

 

Movimento maker na educação: uma conexão positiva com o conhecimento.

Expressar a criatividade e a inteligência de forma diferente é um dos motores para realizar uma tarefa com motivação. É preciso oferecer mais oportunidades para crianças e jovens se encontrarem na escola, usando seu talento.

A consolidação do movimento maker na educação não depende apenas de tecnologia. Precisa de pessoas e instituições com vontade de fazer a diferença.

Um dos grandes incentivadores é a Fundação Lemann, que tem o projeto Programaê. Criado com a visão de tornar a tecnologia acessível a todos, o projeto oferece ferramentas simples para aprender e ensinar a programar. Todas elas são gratuitas, em português e não exigem nenhum conhecimento prévio em programação.

Em Santa Catarina, o Senai está fazendo a diferença para incentivar jovens a criarem um mundo novo com suas próprias mãos. Os processos de aprendizagem são alinhados aos desafios contemporâneos do trabalho e da indústria. A instituição sem fins lucrativos instalou o Espaço de Educação Maker nas cidades de Blumenau, Joaçaba e Pinhalzinho. E em Florianópolis um novo ambiente está em construção no centro de inovação, Sapiens Parque.

 

Movimento maker integrado às escolas

Nas instituições de ensino é possível utilizar o projeto “faça você mesmo” para despertar o interesse dos alunos nas diferentes disciplinas curriculares. Os estudantes desenvolvem a noção de cidadania e sustentabilidade, buscando soluções eficazes para o meio no qual estão inseridos. Veja exemplos na prática:

Aplicar conceitos de Física e Química ao resolver a falta de iluminação natural ou para criar novos combustíveis.

Aprender Matemática de uma forma divertida, produzindo games e aplicativos, desenhando objetos e concretizando na impressora 3D.

Desenvolver a Língua Portuguesa, História e Geografia ao produzir seu próprio filme, criando o roteiro, os diálogos, trilhas sonoras, figurinos e cenários.

Ir além da aula de Informática básica. Entender como funciona um computador e montar a sua própria rede, dar vida a um robô. Colocar suas ideias em prática usando Lego ou plataformas de computação.

 

Benefícios da educação integrada para os alunos

  • Maior absorção do conteúdo;
  • Capacidade de trabalhar em equipe e dividir tarefas;
  • Desenvolvimento do raciocínio lógico, criatividade e empreendedorismo;
  • Preparação dos jovens para os desafios do futuro;
  • Fortalecimento da relação entre professores, pais e alunos.

O movimento maker tem um potencial revolucionário de transformação na educação. Ter experiências reais e conectadas forma uma sociedade autônoma, questionadora e protagonista da sua história.

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