Eleições 2018: saiba o que dizem os candidatos à Presidência da República sobre a Educação

Faltando pouco tempo para o primeiro turno das eleições presidenciáveis, analise as propostas dos candidatos para a Educação.

Estamos há menos de um mês para o primeiro turno das eleições de 2018. E o que dizem os presidenciáveis sobre a educação? A pauta é prioridade para o desenvolvimento do país, as propostas são diversas, por isso, apontá-las e esclarecer os pontos de cada candidato é fundamental para qualificar o debate público e na escolha do candidato.

Diversos movimentos da sociedade estão focados no tema, que é o caso do Todos Pela Educação, suprapartidário e sem fins lucrativos. O movimento criou um documento com propostas para o tema, que foram entregues aos candidatos, além de ter sabatinado alguns dos principais presidenciáveis na corrida eleitoral.

 

 

Para o Todos, existem 5 metas a serem cumpridas para o país avançar na pauta da Educação, que são: Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola; Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos; Todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano; Todo jovem de 19 anos com ensino médio concluído; e por fim, Investimento em educação ampliado e bem gerido.

Sabatinados pelo Todos

O primeiro sabatinado foi o candidato Ciro Gomes (PDT) que criticou o sistema atual de ensino, que, na sua opinião leva à chamada “decoreba” e listou as medidas que considera essenciais para aperfeiçoar o sistema educacional no país, de acordo com a cobertura feita pela EBC. “[O formato atual] faz com que a escola seja muito ‘careta’, com pouca capacidade de reter, atrair o aluno, e isso vai se agravando na proporção com que a idade sobe”, disse.

A candidata Marina Silva (Rede) foi a segunda a participar da série de diálogos com os presidenciáveis promovidos pelo movimento Todos Pela Educação. Durante a sabatina, ela disse que é preciso rever a PEC 241, que congela por 20 anos os gastos públicos, “o que significa manter os serviços públicos da mesma forma que está hoje”,  afirma.

Em seguida foi a vez do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) participar do debate. Ele defendeu que a Educação Básica seja a prioridade dos investimentos na área, prometendo acabar com o déficit de vagas no ensino infantil, zerando a falta de vagas na pré-escola e na EMEI (Escola Municipal de Ensino Infantil). “Hoje, temos mais de 5.511.000 crianças fora da EMEI, da pré-escola para 4 e 5 anos”, informou.

Até o momento, o último presidenciável a participar das sabatinas foi o candidato Fernando Haddad (PT).  O ex-Ministro da Educação no Governo Lula pontuou a necessidade de focar nas áreas que tiveram menos avanços durante os governos do PT, que é o Ensino Médio. “O que a gente conseguiu na educação infantil e no ensino fundamental, nós não conseguimos no médio. O que nós conseguimos na educação superior, não se refletiu no médio também. O médio ficou um problema por resolver”, reconheceu.

O que dizem os candidatos que estão à frente da disputa segundo as pesquisas

Jair Bolsonaro (PSL)

Em seu programa de governo, Bolsonaro cita pouco o tema, dentre as metas está “melhorar a saúde e dar um salto de qualidade na educação com ênfase na infantil, básica e técnica, sem doutrinar”. Ainda em seu programa, ele se inspira no modelo de países como Japão, Taiwan e Coréia do Sul.

Os principais pontos: Ampliar a oferta de matemática, ciências e português sem doutrinação e sexualização precoce; Impedir a aprovação automática; Combater a forte doutrinação; Valorizar a Educação à Distância como alternativa para as áreas rurais; Estimular o empreendedorismo, incentivando  parcerias entre pesquisadores de cientistas das universidades com empresas privadas; Alcançar metas educacionais sem prever a utilização de novos recursos.

Ciro Gomes (PDT)

O candidato do PDT propõe na Educação Infantil, a implantação paulatina de Creches de Tempo Integral para as crianças de 0 a 3 anos. Confira abaixo a lista dos principais objetivos citados no programa de Ciro.

Universalizar o acesso de 4 a 17 anos; Eliminar o analfabetismo escolar (combate absoluto); Melhorar a qualidade, mensurada através dos resultados do IDEB e PISA; Elevar a média de anos de estudo da população; Garantir a permanência e a conclusão na idade adequada; Reduzir a evasão, problema grave no ensino médio; Caminhar na direção do alcance das metas de desenvolvimento sustentável da ONU no tocante à Educação.

Fernando Haddad (PT)

O candidato petista Fernando Haddad, que começou como vice, entrou na corrida presidenciável depois que a candidatura do ex-presidente Lula foi negada perante a Lei Ficha Limpa. Um dos programas mais extensos sobre o tema, Haddad tem como foco principal o Ensino Médio. Ele também expressa uma noção de educação como direito humano, toca em assuntos importantes, como direcionar 10% do PIB para a Educação. Confira os principais pontos sobre a pauta do plano de governo do PT.

Forte atuação na formação dos educadores e na gestão pedagógica da educação básica, na reformulação do ensino médio e na expansão da educação integral; Concretização das metas do PNE, em articulação com os planos estaduais e municipais de educação; Institucionalização do Sistema Nacional de Educação, instituindo instâncias de negociação interfederativa; criação de política de apoio à melhoria da qualidade da gestão em todos os níveis e aperfeiçoamento do SAEB; Criação de novo padrão de financiamento, visando progressivamente investir 10% do PIB em educação, conforme a meta 20 do PNE; implementação do Custo-Aluno-Qualidade (QAQ) e institucionalização do novo FUNDEB, de caráter permanente, com aumento da complementação da União; retomada dos recursos dos royalties do petróleo e do Fundo Social do Pré-Sal; Fortalecimento da gestão democrática, retomando o diálogo com a sociedade na gestão das políticas bem como na gestão das instituições escolares de todos os níveis.

Marina Silva (REDE SUSTENTABILIDADE)

A candidata Marina Silva revela, em seu programa de governo, que o seu compromisso é com a implementação do Plano Nacional de Educação (PNE). De acordo com o seu programa de governo, ela irá adotar políticas para a valorização dos professores, com ações voltadas ao aprimoramento da formação pedagógica e dos planos de carreira.

Confira os principais pontos: Instituir Política Nacional Integrada para a Primeira Infância (lei 13.257/16); Apoiar técnica e financeiramente estados e municípios na implementação da BNCC de Educação Infantil e Ensino Fundamental; Implementar o Plano Nacional de Educação (PNE); Regulamentar Sistema Nacional de Educação (SNE); Enfrentar o analfabetismo de jovens e adultos; Enfrentar evasão do Pronatec; Criar políticas de prevenção e combate a todas as formas de bullying, violência e discriminação.

Geraldo Alckmin (PSDB)

Entre os principais candidatos na corrida eleitoral, o programa de governo do tucano Geraldo Alckmin fala brevemente sobre tema. Entre as propostas dele está a garantia de que todas as crianças estejam plenamente alfabetizadas até 2027, mas sem discorrer mais sobre como fazer. Em um dos pontos, ele afirma que vai Investir na educação básica de qualidade e tem como meta crescer 50 pontos em 8 anos no PISA – o mais importante exame internacional de avaliação do ensino médio, de acordo com seu programa de governo.

Confira as propostas: Crescer 50 pontos em 8 anos no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA); Garantir que todas as crianças estejam plenamente alfabetizadas até 2027; Priorizar primeira infância, integrando saúde, assistência e educação; Investimento na formação e qualificação docente.

Guilherme Boulos (PSOL)

O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, tem um programa coerente com o Plano Nacional da Educação (PNE), estabelece a meta de investimento de 10% do PIB de recursos públicos em educação pública, que é viável com o sistema tributário brasileiro.

Confira aqui alguns dos pontos: Garantir o cumprimento do PNE; Retomar o funcionamento do Fórum Nacional de Educação e discutir sua composição de forma democrática; Retomar a realização da Conferência Nacional de Educação (CONAE); Reformular o Conselho Nacional de Educação, incorporando a antiga  reivindicação de que seja um órgão deliberativo e representativo; Regulamentar e implementar o SNE; Aplicar e ampliar as políticas de cotas raciais e de permanência nas universidades; Fazer auditoria em programas federais que repassam recursos públicos para o setor privado, fazendo transição dos estudantes do PROUNI e FIES para a oferta pública; Auxiliar municípios e estados com maior dificuldade financeira a cumprir o piso nacional do magistério; Alcançar um valor de piso nacional compatível com o salário mínimo necessário do DIEESE, o que significaria um reajuste superior a  50% no atual valor.

 João Amôedo (NOVO)

No plano de governo do candidato do NOVO, João Amoêdo, ele reconhece a importância de ampliar a oferta na educação infantil com creches, que hoje atende apenas 30% das crianças de 0 a 3 anos, mas não aprofunda na educação gratuíta de qualidade e nem cita o PNE.

Confira alguns pontos: Subir 50 posições no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA); Universalizar o acesso das crianças às creches; Priorizar a educação básica na alocação de recursos federais; Ter gestão profissional na direção de todas as escolas do país; Promover programa de bolsas em escolas particulares para estudantes do ensino público; Criar consórcios intermunicipais para a boa gestão da educação nas cidades menores; Valorizar, na distribuição de recursos do FUNDEB, as escolas que melhorarem o aprendizado dos alunos; Confira o plano de governo dos demais candidatos.

Alvaro Dias (PODEMOS)

Um ponto em destaque do candidato Álvaro Dias do PODEMOS, é tornar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) permanente, porém é um plano tímido sobre o tema, sem muitas propostas.

Confira os pontos: Tornar o FUNDEB permanente; Priorizar a Educação Infantil e o Ensino Fundamental.

Henrique Meirelles (MDB)

Henrique Meirelles candidato do MDB, fala brevemente sobre educação em seu plano de governo. Ele aponta a necessidade de uma educação de qualidade e destaca que a educação infantil é fundamental para o desenvolvimento integral das crianças.

Veja as propostas: Dar condições materiais às famílias, treinamento e condições de trabalho aos professores; Afastar qualquer possibilidade de ideologização do ensino; Criar o Pró-Criança, oferecendo, nos moldes do Prouni, a todas as famílias atendidas pelo Bolsa Família o direito de optar por colocar seus filhos em creches particulares.

Planos de Governo dos demais candidatos:

Cabo Daciolo (Patriota)

Plano de nação para a colônia brasileira

Eymael (DC)

Carta 27: diretrizes gerais de governo para construir um novo e melhor Brasil

João Goulart Filho (PPL)

Distribuir a renda, superar a crise e desenvolver o Brasil

Vera (PSTU)

16 pontos de um programa socialista para o Brasil contra a crise capitalista

 

 

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