Empreendedorismo desde cedo: educação infantil aposta em criar novos empreendedores

Em Santa Catarina o Esag Kids e o projeto Think Tank ocupam um importante papel na orientação de estudantes para o empreendedorismo.

A idade mínima para se empreender no país é de 18 anos, no entanto, não precisa ser necessariamente maior de idade para ser um empreendedor. O significado de empreendedorismo vai muito além de simplesmente abrir uma empresa, ultrapassa a barreira dos negócios.

Pensando nisso, a escola tem um importante papel neste contexto, preparando desde cedo o aluno para ser um cidadão consciente e autônomo. No Brasil já existem escolas que estimulam o empreendedorismo, pois o entendimento é de que não basta apenas ter vontade para se tornar um empreendedor, é preciso contar com orientação e preparação para poder conquistar o sucesso.

Em Santa Catarina existem iniciativas e extensão universitária que trazem o tema de começar a empreender, ou ao menos se preparar para ser um empreendedor, desde cedo.

Esag Kids

O projeto de extensão do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), o Esag Kids, criado em agosto de 2015, capacitou mais de mil jovens apenas em 2016, hoje contabiliza mais de 5 mil alunos em diferentes cidades do estado. O programa tem apoio do Banco do Empreendedor e do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa em Santa Catarina (Sebrae/SC), para ajudar as pessoas a lidar melhor com o dinheiro, afinal, as crianças não devem apenas cuidar do dinheiro, elas podem agir para melhorar o mundo, cuidando das pessoas e do meio ambiente.

O principal objetivo do projeto Esag Kids é estimular crianças, do ensino básico fundamental na faixa etária de 8 a 12 anos, a desenvolver competências relacionadas à inovação, administração financeira, com foco em orçamento pessoal, empreendedorismo e desenvolvimento sustentável. Os participantes do projeto são estimulados a apresentar propostas de planejamento de ideias, com viabilidade econômica e de execução, tendo como foco a inovação, como explica o manual do empreendedor mirim.

Para o professor Eduardo Jara, o programa de extensão universitária aproxima as crianças de universidades e conversa sobre empreendedorismo como uma forma para realização de planos, sem deixar de falar em inovação e educação.

“O empreendedorismo não pode ser apenas pensado como colocar a criança para vender alguma coisa. A compreensão é de que o empreendedorismo deve ser feito como uma capacitação em realização de planos e sonhos, se a gente instigar isso, podemos ajudá-las a realizá-los”, explica Eduardo.

Think Tank, Criando o Futuro

Além do Esag Kids, o projeto Think Tank Criando o Futuro, também trabalha neste segmento de empreendedorismo com estudantes. Trata-se de um programa do Projeto Resgate para desenvolver inovadores, líderes transformacionais e buscar soluções para problemas relevantes para a sociedade. Na linha de frente do processo de resolução desses problemas estão os estudantes que querem fazer a diferença na sociedade e seus orientadores.

Em Joinville o projeto Think Tank já atende 108 estudantes do Ensino Médio e 65 do Ensino Superior. Em Florianópolis, o grupo ainda está se formando e hoje atende 25 estudantes. A ideia é formar um grupo com cerca de 40, para esta edição.

A experiência proporciona aos envolvidos o desenvolvimento de softskills e outras habilidades e atitudes em crescente demanda no mercado e na sociedade, principalmente as relacionadas à inovação aberta, inovação intersetorial, cocriação, cooperação, liderança não hierárquica e liderança transformacional.

O CEO do Projeto Resgate e do Think Tank Criando o Futuro, Mário Sant’Ana, ressalta que a criança e o jovem são, por natureza, empreendedores e que não é uma questão de incluir estudantes no empreendedorismo, mas não lhes subtrair o empreendedorismo natural. É preciso trabalhar com eles.

“Observe um grupo de crianças brincando. Elas inventam, constroem e criam todo o tempo. E fazem isso juntas, desfrutando cada momento. Obviamente, são imaturas e precisam aprender a organizar sua energia para fins proveitosos. Afinal, a vida não é uma caixa de areia em um parquinho”, explica.

Ainda de acordo com ele, é preciso ajudar os estudantes a construir autodisciplina e caminhos legítimos para alcançar objetivos claramente definidos.

“A escola tradicional faz com que crianças e jovens, no auge de sua efervescência criativa, fiquem uniformizados, sentados em fila, não os deixa conversar e interagir livremente e apresenta o erro como algo necessariamente ruim, a ser evitado a todo custo. Em vez de orientar a energia dos jovens para que empreendam, tentam controlá-los. Essa é a educação para quem vai obedecer, não para quem precisa criar, inventar, desafiar limites e fazer diferente. A escola tradicional sufoca o espírito empreendedor”, destaca Mário.

Empreendedorismo no Brasil

De acordo com a pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM) e patrocinada pelo Sebrae, a cada 10 brasileiros, 4 são empreendedores. Nos últimos anos, o Brasil tem estado o topo da lista de países com mais empreendedores do mundo, estando à frente de países como Argentina, México, Alemanha, Itália, Estados Unidos, França, Espanha,  e dos países do BRICS.

Em 2016, o país atingiu a segunda maior Taxa Total de Empreendedores de sua série histórica, com 36% da população adulta envolvida com a atividade empreendedora, de acordo com o Relatório da GEM.

Um dos fatores que contribuiu para o aumento do número de empreendedores foi a atual realidade econômica do Brasil, a tendência é de que as pessoas continuem empreendendo para driblar a crise.

 

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