Engenheira, educadora e empreendedora; conheça a trajetória de Nadine Heisler

Da paixão por ensinar, surge a invenção de um app que visa revolucionar métodos de aprendizado de alunos com dislexia

A engenheira de Alimentos Nadine Heisler está desde a adolescência inserida na área da Educação. No ensino médio ela dava aulas particulares para ter o seu próprio dinheiro, esse trabalho era uma paixão, como ela descreve. Mesmo tendo cursado Engenharia de Alimentos, na Unicamp, Nadine continuou com suas aulas particulares. Para complementar sua formação, ela fez uma Pós-Graduação em Comunicação, na ESPM, além dos cursos de Publishing e Graphic Design, em Boston.

Quando voltou ao Brasil, em 2002, Nadine começa sua história como empreendedora em Educação. Ao lado de uma amiga, ela montou a Treina, uma empresa de educação a distância (EAD) focada no mercado financeiro. A dupla foi pioneira na época, quando a EAD estava começando a ganhar visibilidade no Brasil, o que fez com que as duas se tornassem um case do e-Learning Brasil, por terem preparado mais de 6 mil profissionais para a Certificação do Mercado Financeiro através de um curso EAD.

Com um currículo extenso, ela também traz na bagagem uma Importadora de Brinquedos Sustentáveis e Educativos e a loja Tuktuk Mamamuk que vendia esses e outros brinquedos, formando um mix baseado no tripé: sustentabilidade, criatividade e design. Hoje, ela está à frente da Ligamundos e seu principal projeto é a plataforma Domlexia. Conheça mais sobre a trajetória dela.

Como surgiu a Ligamundos e qual é a sua principal atividade hoje?

A Ligamundos surgiu do desejo de voltar para a educação de maneira mais direta, com o objetivo de ajudar as pessoas a se reinventarem através do conhecimento. A partir dai surgiram programas educacionais, oficinas e curadorias individuais de carreira e posicionamento. Nesse caminho, há um ano, outro projeto começou a ganhar vida, o Domlexia. Desde 2010 venho acompanhando minha terceira filha que apresentou uma relação diferente com o aprendizado escolar. Ela tem dislexia, mas até descobrirmos, entendermos e sabermos os caminhos para apoiá-la a desenvolver todos os seus potenciais, foi um árduo processo, que eu com essa necessidade tão intrínseca de transformar tudo em conhecimento compartilhado, já vinha pensando em criar na forma de projeto.

Escrevi o projeto para participar do Desafio da Singularity University 2017, e fiquei extremamente surpresa e feliz em me ver entre os 10 finalistas do Brasil. Toda essa adrenalina, um incentivo inesquecível do diretor da SU, Manny, para mesmo não tendo sido o vencedor, tirar o projeto do papel, deu o gás para começar. Hoje o projeto Domlexia já é minha principal atividade.

Qual é o objetivo central, o carro chefe do Domlexia?

É ser uma plataforma online completa sobre dislexia. De 10 a 15% da população é disléxica, mas como temos pouco diagnóstico e não temos um programa de intervenção adequada, muitos passam pela escola com grande sofrimento, o que gera defasagem e abandono dos estudos. Queremos ter ali informações sobre o tema, com notícias, material explicativo, dicas de livros, apps e jogos, para que toda a comunidade envolvida tenha acesso a informação clara e objetiva. Mas queremos também ter ferramentas de apoio efetivo como aplicativos, planos de aula, materiais de apoio, cursos e palestras de formação.

Qual é o impacto que a Domlexia tem?

Estamos em fase final de teste do aplicativo que desenvolvemos com a parceria da Plotkids e que vai facilitar o processo de alfabetização das crianças com dificuldade de aprendizado. Também estamos iniciando o piloto de um programa de contraturmo da ONG americana NoticeAbility, que representamos no Brasil, para a turma de 12 a 16 anos,  por Florianópolis, nossa terra natal. Estamos bem empolgados e queremos levantar a bandeira da dislexia, que é a bandeira de que existem formas diferentes de aprendizado.

Quantos projetos existem na Ligamundos?

Hoje nosso principal foco é o Domlexia, queremos levá-lo ao maior número de pessoas, tanto que já estamos reposicionando a empresa, inclusive quanto a nome, sai Ligamundos e entra Domlexia.

Também somos cocriadoras do Bate-papo com Educadores. O principal objetivo é levar reflexão e ferramentas aos educadores catarinenses, o projeto é uma parceria com Rafaela Mund e a Vertical Educação da Acate. E como sou inquieta continuo trabalhando com a criação de programas educacionais de impacto e curadoria profissional.

Quais são os seus planos futuros como uma empreendedora?

Ainda temos um longo caminho com o Domlexia, estamos engatinhando ainda, na fase de pilotar as soluções. Seguiremos então buscando aumentar nossa zona de impacto, a comunidade em torno da causa e melhorando cada vez mais a qualidade dos serviços oferecidos.

Empreender no Brasil não é fácil, em educação mais ainda, mas acreditamos que é onde podemos fazer a diferença e plantar sementes importantes.

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