EXISTE DISRUPÇÃO NO SISTEMA EDUCACIONAL?

Existe disrupção no sistema educacional?

“A mente é como um paraquedas. Só funciona quando se abre.”

No século passado, cursar uma universidade como Harvard era para poucos ou somente através dos programas de bolsas que viabilizaram uma parcela de vagas para a filantropia. Atualmente, qualquer pessoa pode acessar os cursos da famosa universidade americana por meio de videoaulas na internet, e percebemos que, no segmento de educação, cada vez mais temos abundância de oportunidades de aprendizagem de forma globalizada e muitas vezes gratuita. No caso de Harvard, eles unem a tradição com disrupção, formando um modelo sustentável para a instituição se renovar e continuar no caminho da inovação e da fidelização de novos públicos.

No Brasil, a disrupção no sistema educacional tem sido lenta. Corporações educacionais  como Pitágoras, Positivo, Anglo e Objetivo, entre outras, não foram as primeiras a propor novos modelos de conceitos de educação tanto presencial quanto online. É importante ressaltar que iniciativas que transformaram setores da educação, como o Ensino à Distância, foram nos segmentos de preparação para o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), vestibulares e concursos e partiram de Startups como Descomplica e Biologia Total, do Professor Paulo Jubilut. No campo do EAD universitário, a disrupção começou nos anos 1990 nas universidades públicas, como a UFSC, a qual é líder nos modelos online de aulas, que até hoje são repetidos e se tornaram pouco inovadores.

Estamos apenas falando em padrões de aulas online. Não comentamos aqui acerca da aplicação de inteligência artificial, sobre a pesquisa de dados, sobre novos formatos de sala e currículos, que ainda são pequenos face a necessidade da geração millennials. E o mais surpreendente é que a maioria dessas iniciativas não vieram do ensino privado nem do público, o que nos leva a perguntar o porquê da existência de tal cenário.

São diversos fatores que explicam o motivo de termos escolas do século XIX, professores do século XX e alunos do século XXI. Entre eles, destaca-se o conservadorismo da classe educacional, o corporativismo, a formação universitária desconectada da sociedade, o conformismo com o modelo atual, a regulamentação exagerada dos governos no setor e a falta de percepção de que o mundo está rapidamente mudando. Acredito que nenhum de nós quer permanecer como dono de locadora de vídeos e ser impactado pelos serviços de streaming como o Netflix.

A pergunta do milhão é: de onde virá uma disrupção significativa no modelo educacional brasileiro e mundial, seja no ensino à distância, como citado acima, ou no presencial? Na minha opinião – e baseado em diversas pesquisas -, a transformação mais inovadora virá de baixo para cima, ou seja, dos estudantes do século XXI, que mudarão o sistema educacional por meio da não aceitação dos modelos impostos. E  também porque sabemos que, neste exato momento já nasceu ou vai nascer algum personagem que impactará fortemente a educação como conhecemos hoje e nos colocará no trilhos da história, conectando conhecimento puro à prática, criando abundância de conhecimento, geração de renda e autonomia para os educadores, e uma nova  forma de aprender – mais criativa, descentralizada e que realmente procure mitigar os problemas educacionais, como acesso ao ensino para todos –  que só será possível pela rede mundial de computadores.

“As mesmas práticas, as mesmas aulas e o mesmo formato, e com sonhos diferentes.”

Otavio Augusto Pinheiro Auler Rodrigues

Historiador, Mestre em Sociologia e Ciência Política, Membro do Talentos da Educação da Fundação Lemann, Parceiro do Instituto Ayrton Senna, Ganhador da Medalha João Davi de Ferreira Lima (Fundador da UFSC), Empreender em série

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