Falta de investimentos em pesquisas impacta no desenvolvimento da inovação na educação

A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada entre os dias 23 e 29 de outubro, propõe uma discussão sobre a importância das pesquisas que são feitas nas universidades para toda a sociedade. Com o ajuste fiscal feito pelo Governo Federal, o corte de verbas deve impactar no desenvolvimento dos mais diversos setores, inclusive na inovação na educação.

 

A realidade nacional em números

O Brasil já possui técnicas inovadoras em áreas como educação, energia, saúde e tecnologia. Assim, ocupa posição de destaque no ranking de qualidade científica. Segundo informações do Nature Index (2015), neste quesito, o país fica em primeiro lugar na América Latina e em 23º no ranking mundial. Apesar de ter uma produção de qualidade, o investimento no setor ainda é baixo e, por conta da atual crise econômica do país, está prevista a redução de recursos para bolsas de estudos e financiamentos de pesquisas nas universidades.

Com a menor verba em 12 anos, a comunidade científica afirma que o orçamento de investimentos do setor passou de R$ 9,4 bilhões em 2013 para R$ 3,3 bilhões em 2017. O valor previsto para 2018 é ainda menor: R$ 2,7 bilhões. Esta redução deve prejudicar significativamente todos os setores beneficiados pelos resultados de pesquisas nos próximos anos.

Segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, os investimentos feitos em projetos de pesquisas são de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil. Enquanto isso, os Estados Unidos investem mais de 3% do seu PIB.

 

Grandes potências comprovam a importância da produção científica

Países desenvolvidos, como Alemanha, Japão, Israel e Estados Unidos reconhecem há décadas a importância dos investimentos em pesquisas. No Brasil a produção científica tem grande impacto social e econômico, mas, ainda, pouco reconhecimento.

Pela ótica financeira da questão, o aporte para pesquisas pode ser justamente uma forma de gerar renda e sair da crise. Um exemplo muito claro é o desenvolvimento científico Genoma Humano (2003), que determinou a sequência de pares de bases químicas que compõem o nosso DNA. O Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos, calcula que os cofres públicos americanos investiram cerca de US$3,8 bilhões no desenvolvimento do projeto. Em contrapartida o resultado rendeu mais de US$ 796 bilhões e criou 310 mil empregos.

Outro exemplo, mais próximo, é o do professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Nivio Ziviani. Um acadêmico brasileiro que nos últimos 20 anos, fundou startups especializadas em ferramentas de busca na internet. A Miner, especializada em organizar buscas de segmentos específicos, foi criada em 1998 e vendida no ano seguinte ao grupo UOL por R$ 4 milhões. A Akwan, fundada em 2000, ajudou a desenvolver o sistema inicial de busca da internet e foi adquirida pelo Google, em 2005, por um valor nunca revelado.

 

O desenvolvimento da inovação na educação

A inovação na educação acontece a partir do resultado de pesquisas. O desenvolvimento de novas tecnologias dentro e fora da sala de aula e a análise comportamental dos alunos e professores são exemplos de estudos que beneficiam diretamente o processo de ensino e aprendizagem.

Atualmente, observa-se um distanciamento entre educadores e alunos, resultante do conflito entre técnicas tradicionais de ensino e os novos métodos de aprendizagem que a era digital proporciona.

A pesquisa deve acontecer constantemente para compreender o desenvolvimento humano, o meio no qual está inserido e orientar sobre seu futuro. A cada instante surgem fatos históricos reveladores, novas teorias e tecnologias inovadoras que exigem a construção de um novo cenário educacional. Entenda por que inovar na educação.

 

A busca por novos caminhos para a inovação na educação

Para se fortalecer e ganhar o devido espaço, o ramo de Ciência e Tecnologia precisa ter maior representatividade junto ao poder público, dando continuidade às discussões e garantindo os recursos necessários. Também será preciso buscar caminhos alternativos para manter o trabalho dos pesquisadores. Uma opção é firmar parcerias com empresas investidoras que se interessem por determinados estudos. Companhias como Motorola, Samsung, Nokia e IBM já instalaram grandes centros de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no Brasil.

Para fomentar a busca por novas soluções, a Vertical de educação da ACATE faz parte do evento Educação Fora da Caixa. O encontro promove a troca de experiências entre educadores, pesquisadores e empreendedores de reconhecimento nacional e internacional, para discutir novos métodos, práticas e realidades educacionais baseados em inovação.

Para o país evoluir e usufruir dos benefícios da Ciência e Tecnologia incentivos financeiros não podem ser considerados gastos mas, sim, investimentos.

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