Fora da Caixa: A Educação para o Século XXI

Fora da Caixa: A Educação para o Século XXI

“Alunos nascidos no século XXI, tendo aulas com professores formados no século XX, em escolas que remetem às do século XIX. Será essa a educação que formará os cidadãos para os desafios que enfrentamos no presente e futuro próximo?” Esta é a provocação que dá origem a grande discussão sobre o atual sistema educacional brasileiro, e é o tema central do Encontro Internacional de Inovação na Educação: Educação Fora da Caixa.

Convencidas com a falência de sistemas educacionais vigente e instituições de ensino criadas em séculos passados, entidades representantes da chamada a tríplice hélice da inovação de Santa Catarina – governo, empresas e instituições de ensino superior – se reúnem para a realização do evento. Com a preocupação de reinventar o espaço escolar, incorporando as principais tendências para educação, o encontro conta com público variado: gestores de instituições de ensino, gestores públicos, professores, alunos, e empresários.

Em sua segunda edição, o evento reuniu nos dias 2 e 3 de junho, cerca de 400 participantes, preocupados com a discussão sobre os rumos da educação, a inovação no sistema, além dos métodos e ferramentas tecnológicas que vem causando rebuliços entre entidades, especialistas e profissionais da área.

Redes de Co-aprendizagem e Educação em Rede

O primeiro painel do segundo dia de evento, trouxe a discussão sobre redes de co-aprendizagem e o que deve ser uma educação em Rede. Participaram deste painel os professores da Universidade Federal de Santa Catarina: Marcio Vieira de Souza e Marina Nakayama, além da professora Alexandra Okada, falando direto da Open University – Londres, onde atua.

Segundo Marcio, “o conceito de inteligência mudou muito nas últimas décadas e a educação mudou com isso. O desafio hoje é aprender a pensar, solucionar e transformar. Na época da Guerra Fria, 80% das informações eram sigilosas. Hoje é possível encontrar muitas dessas informações por meio de fontes abertas.” Nesta linha não é preciso mais absorver tudo, é preciso aprender a acessar e utilizar o conhecimento em suas diversas esferas.

As redes de conhecimento se expandiram demais, e o acesso à informação é muito mais rápido e fácil do que antes. A ideia é caminhar então à uma rede distribuída de conhecimentos. Dentre os diagramas de redes de Paul Baran (1964), a Rede Distribuída é aquela onde não há centralização de poder, ou seja, todos os nós têm acesso direto uns aos outros. É neste sentido e com esta base, que os painelistas colocam a educação do futuro.

Políticas para a Inovação na Educação

O segundo painel do dia, trouxe a tona a discussão sobre políticas públicas para a inovação na educação brasileira, além de um caso muito interessante de política pública desenvolvido no Uruguai. Participaram deste painel, Lucia Dellagnelo, diretora presidente do Centro de Inovação para Educação Brasileira (CIEB), Diego Calegari, ex-diretor de Tecnologia e Inovação da Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina, e Mauro Carballo, líder de Projetos e Plataformas Educativas do Plano Ceibal do Uruguai.

Pensar fora da caixa ou construir novas caixas? A painelista Lucia Dellagnelo, traz indagações neste sentido quando se trata de políticas públicas para inovação na educação. Coloca Lucia em entrevista para o portal SCInova que “É impossível pensar totalmente fora da caixa. A grande novidade é construir novas caixas, mas não isoladamente. Isso tem que ser construído misturando as tribos, não só com teóricos, mas com empreendedores também, criando caixas diferentes e colaborativas.”

Para Lucia, o Brasil está estagnado na educação em 20 anos, sendo que não nem um plano de ação para o uso de tecnologia em sala de aula. Enquanto isso, outros países já entenderam que o ensino da programação para crianças é tão importante para o desenvolvimento quanto aprender a ler, considerando uma sociedade baseada na informação e na tecnologia.

Para Diego Calegari, o momento da educação brasileira é de caos, o que representa também um momento de oportunidade. É hora de ressignificar a educação e construir novos modelos Em um momento político muito sensível pelo qual passamos, é hora de educar para a cidadania, trazendo às pessoas a perspectiva de que as políticas públicas e a forma como o governo funciona só mudarão quando houver iniciativa popular.

Mauro Carballo, coloca que a discussão sobre a educação deve ir além do campo educacional, deve estar em toda a sociedade. Para isso, é importante que se unam os diferentes entes – governo, mercado, instituições de ensino, e a sociedade civil como um todo – para que consigam trabalhar em conjunto e não venham a competir entre si dentro do setor educacional. Isso deve ocorrer para que a educação não vá apenas até a sala de aula e forme bons estudantes, mas se expanda e forme bons seres humanos.

Gamificação na Educação: Tendências e Aplicações

O terceiro painel do dia, mergulhou em um dos métodos mais comentados no meio educacional nos últimos anos: a Gamificação. Participaram deste painel os professores David Kaufman da Simon Fraser University de Vancouver-Canadá, e José Eduardo De Luca da Universidade Federal de Santa Catarina, além do pesquisador Giovanni Farias.

A partir de uma perspectiva em que inúmeras crianças e jovens estão desmotivados e não conseguem se concentrar em sala de aula, ao passo que passam horas sem nem piscar em frente à computadores, smartphones e videogames, “Gamificar” o processo educacional parece ser uma boa estratégia.

A gamificação se traduz basicamente pela utilização de dinâmicas características e arquiteturas presentes em jogos para promover comportamentos em outros contextos. Trata-se de aproveitar elementos como a curiosidade, a colaboração, a possibilidade de falhar, o feedback, o storytelling, os desafios dentro de contextos específicos, em que os indivíduos podem tomar suas próprias decisões e descobrem por si só os melhores caminhos a seguir. “Passar de fase” pressupõe aprendizados e aquisição de habilidades para resolver problemas, além da compreensão de um sistema de regras com as quais é preciso lidar para tornar-se vencedor.

Para David Kauffman, professor na Simon Fraser University – Canadá, há hoje uma nova geração de estudantes, que são super conectados à diversos tipos de tecnologias, inseridos em sistemas educacionais problemáticos, altamente desinteressantes. Os estudantes não estão engajados e a evasão é um grande problema mundo a fora. A tecnologia neste contexto é uma aliada, mas não se trata de tecnologia, trata-se de método de ensino. Os métodos que só trazem como resultados uma enxurrada de conhecimentos nas cabeças dos alunos não são efetivos, o processo de aprendizagem precisa ser inspirador e motivar estudantes a se desenvolverem e resolverem problemas cotidianos. Neste contexto, os jogos são particularmente importantes, pois são envolventes, e trazem características como o trabalho em equipe, a autonomia para tomada de decisões, o erro. Para que funcionem, entretanto, é preciso envolver diversas pessoas, não só os alunos, é preciso envolver os professores, integrar a escola, as famílias, trazer diferentes perspectivas e integrar pessoas com diferentes habilidades, assim se caminha para a melhoria da educação.

Inovação no Ensino Superior

Para fechar o evento, o painel Inovação no Ensino Superior, contou com a participação dos professores Celson Pantoja Lima, Cleunice Rauen e Soraia Schutel, e foi muito além da formação acadêmica. A discussão foi levada a um ponto essencial: A formação Humana e Social.

Celson Lima é professor na Universidade Federal do Oeste do Pará, e trabalha em uma realidade muito diferente de grande parte do Brasil, a realidade Amazônica. Para ele, a educação é algo muito amplo, e o foco das discussões deve ser a aprendizagem. Trata-se de como trabalhar a aprendizagem para que ela forme cidadãos excelentes antes de formar profissionais excelentes. A escola, em qualquer nível, deve estar preocupada em formar cidadãos que vão causar um impacto social e econômico relevantes no meio em que vivem. Para tanto, o professor desenvolve hoje um projeto que visa conectar a universidade aos ensinos fundamental e médio, motivando estudantes a buscarem mudanças positivas em seus meios. Celson acredita que as fases de aprendizagem devem estar ligadas, e deve se pensar em que tipo de conhecimento é possível passar da universidade para o ensino médio e fundamental que motive as crianças a quererem fazer a diferença. O objetivo, é que quando o estudante chegar no nível superior, ele chegue com vontade de mudar, de inovar e impactar positivamente a realidade em que vive. A formação acadêmica é então apenas um meio.

 

Tecnologias para a Educação

Inserida no Educação Fora da Caixa em suas duas edições, a Vertical Educação da ACATE traz para o evento uma perspectiva prática, mostrando quais soluções vêm surgindo no mercado, que conseguem melhorar e facilitar o processo de ensino e aprendizagem, além da gestão escolar.

A Vertical Educação abarca hoje empresas de base tecnológica atuantes no Ensino Básico, Corporativo e Cursos Livres, com soluções que vão da gestão escolar à comunicação entre professor e aluno, aprendizagem corporativa, soluções em e-learning, infraestrutura de rede educacional, entre outra diversas.

Composta por mais de 30 empresas, o grupo realiza encontros periódicos e faz da atuação em rede a chave para o desenvolvimento mútuo e fortalecimento do setor de tecnologia para a educação. A vertical posiciona-se então como referência no assunto, fazendo-se presente nos principais meios de debate e promoção do setor, e articulando-se com os principais players, públicos e privados.

Para o evento, a vertical trouxe a exposição de diversas tecnologias produzidas pelas próprias empresas, para que os participantes não só pudessem discutir sobre o tema, como também conseguissem interagir com a tecnologia, criando novas visões e conceitos sobre o processo de ensino e o uso de ferramentas tecnológicas.

 

A próxima edição do evento está prevista para acontecer no primeiro semestre de 2018, e espera debater não só os desafios como também os avanços do sistema educacional brasileiro e internacional da atualidade. Acompanhe em: eduforadacaixa.com.br

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