Por que inovar em Educação

A sociedade exige cada vez mais respostas inovadoras do mercado de um modo geral. Mas cabe às instituições de educação, um papel fundamental no que diz respeito à inovação, já que estão formando a geração do futuro. É preciso acompanhar a modernidade com agilidade, respeitando o que há de melhor na tradição. Diante dos desafios de mudança de todo um sistema já consolidado surge a questão: por que inovar em Educação?

Acompanhe este rápido diálogo da vida real: em um dia ensolarado, mãe e filho aproveitam para dar uma volta no parque enquanto conversam. Mateus, de 8 anos conta empolgado que gostaria de realizar três sonhos: o 1º é ir à Disney, conhecer os personagens que tanto adora. O 2º assistir um jogo de futebol no estádio do Barcelona e o 3º sonho é… parar de estudar. “PARAR DE ESTUDAR??” perguntou a mãe espantada. “Por que??”  “Porque a escola é muito chata.” respondeu o filho prontamente.

É impactante para qualquer adulto ouvir isso de uma criança que está apenas começando a vida escolar.

Palavras vindas de um garoto inteligente, que estuda em uma escola tradicional e conceituada, com boas referências familiares, interessado por diversos esportes e que ao viajar por seis meses aprendeu dois novos idiomas. O que há de errado com este menino? Ou talvez a pergunta possa ser: o que há de errado com a escola?

Do outro lado, neste período de férias escolares, professores e gestores reavaliam seu trabalho, com preocupações como: o que posso fazer de diferente no próximo ano? Como reter a atenção dos alunos? Na era digital tornou-se obrigatória a presença da inovação, mas pensar sobre o assunto já desperta ansiedade, inquietação, dúvidas e insegurança. À primeira vista remete a trabalho extra, um esforço de inventar algo todos os dias e, muitas vezes, fazer milagre com pouco. Conectar-se com os alunos tem se tornado um grande desafio do qual não se sabe nem por onde começar.

Mas a nossa questão aqui é o porquê. Então separamos oito motivos para inovar em educação.

 

POR QUE INOVAR EM EDUCAÇÃO?

 

1 – PARA ACOMPANHAR O NOVO CENÁRIO MUNDIAL

A evolução da tecnologia é um marco na história da humanidade e fazemos parte dessa transformação. Estamos passando pelo que ficou conhecido como a Quarta Revolução Industrial, que traz à tona novos termos, como Internet das Coisas, Machine Learning, Deep Learning e Realidade Virtual. Observando as mudanças que ocorreram nos últimos dez anos, questione-se: como você imagina que serão as escolas daqui a uma década? Qual será o papel do professor? Quais serão as demandas da sociedade? Essas questões não são para assustar, mas para alertar sobre a importância de uma mudança na forma de pensar. Os agentes do ensino devem estar abertos ao novo e à possibilidade de reinventar a cada trimestre, a cada semana para criar uma conexão real com os alunos.

 

2 – É UM DIFERENCIAL COMPETITIVO

Em meio às tais dúvidas sobre como começar a inovar muitas escolas ainda se mantém estagnadas no mesmo padrão de ensino. O que faz com que a inovação, quando aplicada de forma efetiva, seja um diferencial de mercado. Pensando como consumidor, é mais atrativo matricular-se em uma escola que tem métodos criativos de ensino, conta com aplicativos que melhoram o desempenho dos alunos em matérias como Português, Matemática e Redação, ou que facilite a compreensão de Geografia, Biologia e Química com Realidade Aumentada. Já para os pais, que tem a rotina corrida, pode ser muito interessante trocar a tradicional agenda física por um sistema integrado que os deixa seguros sabendo de tudo o que acontece na escola.

Leia também: Encurtando relações entre pais e educadores

 

3 – PARA MELHORAR A GESTÃO DA INSTITUIÇÃO

O fator humano nunca vai ser substituído por uma máquina. Só os gestores conhecem a realidade de cada escola. Mas existem aplicativos de Gestão educacional que conectam pessoas e conhecimentos, produzindo informações que auxiliam no planejamento da organização e na tomada de decisões estratégicas, o que reduz custos e aumenta a efetividade das ações. Para esses mecanismos funcionarem e proporcionarem bons resultados é necessário inserir novas práticas na rotina.

Leia também: Estratégia para educação: entenda a importância de pensar estrategicamente na gestão da sua instituição

 

4 – PARA APROXIMAR ALUNOS E PROFESSORES

Em seminários de discussão sobre ensino a aprendizagem já se fala em Educação 3.0 onde os professores deixam de ser o centro do conhecimento e passam a exercer o importante papel de guia para a educação dos jovens que tem o mundo online à disposição na palma da mão. A aprendizagem é rápida e constante. O professor que inova participa da construção do conhecimento facilitando os caminhos da busca por respostas. Neste contexto a carga horária se torna flexível e o estudante pode aprender junto com colegas e outros mentores.

 

5 –  PARA TER MAIOR CONTROLE DE DESEMPENHO DOS ALUNOS E PROFESSORES

Um ponto que deve ser sempre lembrado é que a tecnologia vem para simplificar os processos. Já existem diversas empresas que foram criadas exclusivamente para auxiliar nesse processo de transformação digital das instituições de ensino. Muitas soluções que facilitam o acompanhamento do desempenho estão disponíveis, como provas e simulados online.

 

6 – PARA RETER A ATENÇÃO DOS ALUNOS E AUMENTAR O NÍVEL DE ABSORÇÃO DO CONTEÚDO

Para um jovem da geração Z não deve ser nada fácil ficar horas sentado em uma carteira assistindo a uma aula expositiva de História. Nesta hora a tecnologia pode distrair os alunos para assuntos paralelos ou captar sua atenção e motivar a pesquisar mais sobre o conteúdo. Esta geração está muito conectada e dominar os processos é a parte mais fácil para eles. Em compensação, um assunto só vai ser absorvido se o professor auxiliar a conectá-lo com a sua realidade. Além disso, hoje é essencial que o aluno aprenda a transitar habilidades e conhecimentos entre uma matéria e outra.

Veja também: Como trabalhar boas práticas para retenção de alunos

 

7 – PARA FORMAR A GERAÇÃO DO FUTURO

Os jovens estão estudando para empregos que talvez nem existam nos próximos anos. O sistema educacional vai se transformar para trabalhar novas competências visando compreender o estilo de vida que essa geração espera ter no futuro. Estão surgindo novas formas de economia, diferentes hábitos e estilos de vida. Os questionamentos aumentaram e com eles a exigência para que os propósitos individuais estejam alinhados às instituições de ensino. Não se estuda mais por obrigação ou por medo. Tem que fazer sentido. O momento é propício para ouvir quais são as demandas – as dificuldades dos alunos e do meio em que vivem – e buscar soluções criando oportunidades reais de aprendizado.

 

8 – PARA PARTICIPAR DA CONSTRUÇÃO DE UM NOVO FORMATO DE ENSINO

A inovação é o caminho para revolucionar a educação. Muita novidade boa está por vir, formatos diferentes como Educação Maker, Realidade Aumentada, Impressão 3D, Inteligência Artificial, Robótica, Internet Quântica vão proporcionar a vivência do conhecimento tornando o aprendizado mais interativo e efetivo.

 

inovar-em-educacao

 

Esse assunto proporciona uma rica discussão com diversos pontos de vista. Mas algumas características fazem parte do profissional que acompanha a transformação e se diferencia pela capacidade de adaptação.

Veja as principais características pessoais necessárias para ter a inovação como aliada:

CORAGEM – para sair da zona de conforto, responsabilizar-se pela mudança e deixar de lado as limitações externas. O primeiro passo pode ser questionar-se: “Qual é o problema?” “O que os alunos pensam sobre isso?” e “Quais são os recursos disponíveis para solucionar?”

CRIATIVIDADE – o grande diferencial da inovação é a capacidade humana de pensar diferente. Sem esse fator teremos uma série de ferramentas e equipamentos obsoletos. Precisando de inspiração? A Porvir lançou a 2ª edição do Desafio Diário de Inovações (2018) com 19 práticas para professores inovarem na sala de aula. Clique aqui para baixar

PERSISTÊNCIA – Com certeza haverá resistência de algumas pessoas, atividades darão errado e alguns métodos não vão se encaixar ao perfil dos alunos ou professores. É preciso ter determinação para aprender com os erros e continuar se aprimorando.

HUMILDADE – Esse vai ser um fator decisivo para a inovação: ter humildade para aprender ao ensinar. Entramos em uma era em que o conhecimento deixa de ser vertical e passa a ser horizontal. Professores têm instrução adquirida com a formação e experiência profissional. Em contrapartida os alunos são fontes de novidade, estão conectados o tempo todo e podem trazer isso para a sala de aula. É possível aprender mutuamente, permitindo que os jovens tragam informações que não estão nos livros e criem novas formas de estudar.

O terceiro sonho do Mateus, da história no início deste texto, talvez não seja parar de estudar, mas aprender em uma escola que compreenda sua visão de mundo. A solução é simples: ou a escola muda ou o Mateus muda de escola.

É preciso ter cuidado para não adotar novas ferramentas e equipamentos de forma improvisada e sem capacitação, apenas para entrar “na onda da inovação”. O grande desafio é evoluir sem perder o foco no que realmente importa. Para isso é fundamental planejar as ações e colocá-las em prática, avaliando os resultados periodicamente.

Já temos ótimas referências de instituições de ensino que inovam dentro e fora do Brasil, mas não existe fórmula pronta. Inovar no meio educacional é buscar soluções diferentes considerando o contexto de cada realidade, utilizar os recursos disponíveis de forma criativa, ter a abertura para trabalhar com o novo e enfrentar os desafios que surgem a cada momento.

Sem comentários

Postar um comentário