Saúde do professor: estresse está entre as principais causas de afastamento

Se na década de 70, você perguntasse a uma menina o que ela gostaria de ser quando crescesse, a resposta viria sem hesitação: “Professora!”. Isso porque essa profissão era extremamente valorizada, considerada nobre e admirável.

No Japão o único profissional que não precisa se curvar diante do imperador é o professor. Pois, segundo os japoneses, em uma terra onde não há professores não pode haver imperadores. Que grande lição!

Desde a década de 70, a Finlândia transformou sua história e alavancou a economia nacional priorizando políticas públicas e sociais na educação. Atualmente ocupa o primeiro lugar no ranking de educação de acordo com a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico*. As vagas para ser Professor neste país são mais disputadas do que para ser Médico.

Enquanto a Finlândia apostou na educação para se desenvolver nos últimos 40 anos, o Brasil declinou de tal forma, que aquela menina, que sonhava em ser professora na década de 70, perdeu o brilho nos olhos por essa profissão.

O que está acontecendo com educação brasileira? Em que momento os valores se inverteram, o ensino se fragilizou e o professor deixou de ser respeitado?

O ano letivo está encerrando e uma triste realidade vem sendo estampada nas manchetes dos jornais, praticamente todos os dias:

 “Aluno de 17 anos agride professora em Santa Catarina” (agosto de 2017)

 “Alunos de 12 anos dão água da privada e comprimidos para professora, em Jaraguá do Sul” (setembro de 2017)

 As notícias revelam o cenário negativo do ambiente escolar e seus integrantes. O estado de Santa Catarina está em segundo lugar no ranking nacional** de afastamento de professores, ficando atrás apenas do Distrito Federal. A cada quatro professores da nossa rede de ensino, um está afastado das atividades por motivos de doenças, em sua maioria transtornos resultantes do estresse, como depressão e ansiedade.

Com a situação atual do Brasil o sistema de ensino corre risco de entrar em colapso, se medidas urgentes não forem tomadas. O primeiro passo é identificar a causa do problema.

 

Conheça os principais fatores estressantes que interferem na saúde do professor

  • Jornada de trabalho exaustiva
  • Baixa remuneração
  • Excesso de atividades
  • Falta de capacitação e atualização
  • Ambiente inadequado e material insuficiente
  • Indisciplina dos alunos
  • Pressão psicológica
  • Lesões decorrentes da rotina da profissão

Ao identificar os fatores estressantes é possível propor soluções. Trata-se de um trabalho em conjunto, que inclui ações do poder público e privado, mudanças na conduta familiar e adoção de uma rotina saudável pelo professor, para manter seu equilíbrio físico e mental.

 

Saúde do professor: ações que podem fazer a diferença 

  • Participação ativa das famílias na formação de crianças e jovens, integrados à instituição de ensino.
  • Investimento no desenvolvimento socioemocional do educador, para lidar com as próprias emoções, se relacionar bem com os outros.
  • Remuneração adequada para atividades realizadas fora do horário das aulas, como planejamento de aula, correções de provas, registro de notas e diários de classe.
  • Investimento por parte da instituição em qualidade de ambiente e equipamentos.
  • Implementação de programas de mediação de conflitos escolares, para diminuir problemas por meio de diálogo.
  • Assistência à saúde do professor, com planos que permitam fazer exames rotineiros para a prevenção de doenças.
  • Investimento na formação continuada, pois é através da troca de experiências e das informações que os profissionais conseguem rever suas ações, crescer profissionalmente e melhorar a qualidade do trabalho educativo.

 

Professor! Faça sua parte para cuidar da saúde. Veja dicas práticas:

Mantenha a boa postura e fique atento aos movimentos repetitivos. Digitar no computador e escrever no quadro são exemplos de movimentos que precisam de atenção, pois podem causar a lesão por esforço repetitivo (LER).

Fique atento à saúde da voz. Sentir rouquidão, presença de secreção ao engolir, ardência na garganta e esforço para falar são alertas para procurar ajuda profissional (Fonoaudiólogos e Otorrinolaringologista). É importante alimentar-se de forma saudável, hidratar o corpo tomando água e evitar materiais que provocam alergia, como o giz de quadro. Também evite o esforço vocal ao falar em ambientes ruidosos. Se necessário, use o microfone.

 Pratique atividades físicas regularmente. Exercícios podem trazer grandes benefícios: mais energia durante a aula, bom humor, fortalecimento da musculatura e aumento a imunidade.

Cultive o lazer. É vital manter atividades prazerosas, como ler, ouvir música e fazer trabalhos manuais. O lazer agrega conhecimento e contribui na prevenção de problemas psicológicos.

Identifique os sintomas de depressão e ansiedade. Tristeza profunda, desânimo, irritabilidade, cansaço e dificuldade de concentração, são alguns dos sintomas que podem caracterizar uma doença. Busque ajuda de um profissional especializado (Psicólogos e Psiquiatras).

 

 O estresse que prejudica a saúde do professor e o afasta das suas atividades é um problema cada vez mais evidente. A solução depende de um conjunto de ações, que envolvem o setor público, privado e toda a comunidade escolar. A realização do professor é participar da formação de um ser humano, que usa o conhecimento adquirido na construção de um mundo melhor. É preciso proporcionar condições favoráveis e o devido valor à profissão, para que o educador exerça sua função de forma íntegra e digna.

 

 

*OCDE: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Entidade internacional formada por 35 países, dentre os quais o Brasil faz parte.

*Fonte: Pesquisa feita pelo Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) em 2012.

**Fonte: Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) de 2012 – Trabalho Docente na Educação Básica no Brasil. Foram entrevistados 8,9 mil professores em Minas Gerais, no Espírito Santo, em Goiás, no Paraná, em Santa Catarina, no Rio Grande do Norte e Pará.

 

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