Você conhece a Dislexia?

10% da população é um número e tanto! Em termos de população mundial, corresponde a todas as pessoas da Europa juntas. É de um número entre 10-15% da população que estamos falando quando pensamos em dislexia. No entanto, embora com essa quantidade de pessoas que possuem a característica, pouquíssimo sabem identificar ou até mesmo do que se trata.

A dislexia é um transtorno neurobiológico que afeta principalmente a decodificação fonema-grafema. Mas o que isso quer dizer?

Essa é uma característica do cérebro de algumas pessoas, que funciona de uma forma um pouco diferente, fazendo com que o processo de alfabetização (aquisição da leitura e da escrita) sejam bem mais difíceis. Outra dificuldade é a rota de memória, ou memória de curto prazo, que usualmente não é tão eficiente, fazendo com que para os disléxicos seja mais complicado lembrar de sequências de tarefas, dias, etc.

Não afeta em nenhum grau a inteligência ou outra capacidade e como qualquer característica que tenhamos (como ser baixo ou alto, p.ex) traz também suas vantagens, como uma criatividade mais aguçada, uma capacidade de síntese, visão ampla e percepção.

No Brasil praticamente não há estatísticas sobre o assunto, mas se olharmos os dados dos Estados Unidos veremos que embora os disléxicos sejam no máximo 15% da população, eles representam 32% dos jovens que abandona a escola e mais de 50% dos adolescentes em clínicas de reabilitação por drogas e álcool.

Mas como falamos a dislexia traz também habilidades que diferenciam profissionais no mercado de trabalho. Você sabia que 35% dos empreendedores do Vale do Silício são disléxicos? E assim como eles muitos artistas, inventores, cientistas (o mais famoso deles Albert Einstein) e tantos outros, também possuem essa característica.

O que temos então é um abismo, quem tem a dislexia identificada logo cedo e recebe o apoio necessário, que passa por outros métodos de alfabetização com maior foco no modelo fônico, e tem sua autoestima preservada, não passando por “burro” ou “preguiçoso” durante a etapa escolar em função de sua defasagem na leitura e escrita, floresce e tem a possibilidade de usar as habilidades como vantagens e diferencial.

No entanto, aqueles que não são identificados e não são apoiados podem cair no abismo do abandono escolar, drogas, etc. Como o diagnóstico ainda depende da opinião/avaliação de um grupo profissional multidisciplinar, que inclui fonoaudiólogo, psicopedagogo, psicólogo e neurologista; conseguir um laudo é trabalhoso e tem um custo inviável para nossa população.

Já existem diversos estudos em fase de aprovação para se ter o diagnóstico através de imagem funcional, o que irá com toda certeza facilitar o processo.

Precisamos agir, e logo! No Brasil, a legislação ainda não é clara e o apoio legal é pequeno, mais ainda, não há uma consciência da importância da identificação precoce, na fase de alfabetização, o que poderia evitar muitas dificuldades futuras. Preparar professores e pais para identificar a dislexia e saber quais as estratégias podem utilizar para auxiliar o processo de superação da fase de alfabetização, podem tirar 10% da população do risco de cair no abismo.

*Conheça o projeto Domlexia, co-fundado pela autora deste artigo, Nadine Heisler. Apaixonada por educação, Nadine acredita que a dislexia é um dom, e que todos os disléxicos merecem o apoio necessário para utilizá-lo como tal.

 

Nadine Heisler - LIGAMUNDOS

Nadine Heisler - LIGAMUNDOS

Acredita na educação como a melhor forma de empoderamento pessoal, por isso está sempre buscando, criando e testando novas estratégias de aprendizado. Mãe de 4 meninas, adora uma casa cheia de pessoas e conversas interessantes e de cozinhar sem receita. É CEO da Ligamundos.

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